"Quase Barco I " Objeto
Cerâmica esmaltada
Tela plástica
Concreto celular. 2006.
H E L O I S A R E I S
Em 1993, por ocasião da primeira exposição individual “Do Barro ao Rito”, José Mindlin escrevia: “ Heloisa Reis quer dar uma linguagem plástica à artesania milenar do barro, inserindo-a na atualidade, mas de forma inusitada, num contexto que chama de ritual, mas que antes me parece misterioso...ela joga sutilmente com a repetição e a diferença das formas : elas se parecem mas nenhuma é igual à outra...”
Sobre a instalação “ Quase brancos” de 1998, Alberto Beutenmuller escreve : “...No espírito descontraído que medita e que sonha, a imensidão parece esperar por imagens. O espírito vê e revê objetos e encontra no objeto o ninho apropriado para a sua imensidão. Ao tentar seduzir pela cor branca ou quase branca, Heloisa Reis nos remete à dimensão íntima de sua linguagem. O branco é dúbio porque, se sai de um prisma, é a soma de todas as cores, mas se é matéria de pintor que lida com pigmentos, ela passa a quase cor. O que Heloisa exprime nessa instalação é a grandeza escondida em profundidade da psique. A luz e sombra do olhar ambíguo, porque é de linguagem contemporânea, e ambígua em sua religiosidade sem religião...”
Esta artista pintora, ceramista e escultora, pesquisa a linguagem contemporânea da arte e vem revelando com sua trajetória uma intenção de trabalhar a obra aberta, que segundo Umberto Eco exige em primeira instância a reflexão teórica.
Suas esculturas são representações que sugerem símbolos metafóricos de figuração apenas delineada, mas trazem, em suas formas, forte carga conceitual e poética. Por isso, em geral , ela instala suas esculturas - ritualiza-as.
Na série “ Quase barcos ” há uma preocupação conceitual que se revela no estado de ambiguidade da forma. As esculturas que apresentam uma oscilação entre as não-cores branco e preto, e cuja materialidade vai da cerâmica ao concreto, do ferro à tela plástica, têm formas justapostas que, em quase desequíbrio, evocam um estranhamento : são formas de algo que já foi, ou que está no estado de vir-a-ser.
São quase algo : quase-barcos, quase-mastros, quase- obeliscos cuja razão da existência está, segundo a própria artista, na brincadeira da construção tanto do conceito quanto do objeto.
Ainda lembrando-se o que escreve Alberto Beutenmuller... “A imensidão íntima produz o devaneio e este foge do objeto mais próximo; logo se faz longe, no espaço para além do além, no quase branco do além. Há uma vastidão nos quase brancos de Heloísa Reis, um espaço vasto que se quer presente e, quanto mais se queira contê-lo, mais a sua vastidão se estabelece.”